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Tarifaço de Trump ao Brasil vira jogo de empurra-empurra entre governo e oposição

  • Foto do escritor: Nova Regional FM
    Nova Regional FM
  • 10 de jul. de 2025
  • 3 min de leitura

Governistas chamam Jair Bolsonaro e seus aliados de ‘traidores da pátria’ por, segundo eles, articularem as tarifas junto ao governo dos EUA; bolsonaristas responsabilizam política externa de Lula

Para oposição, alinhamento do atual governo com os países do Brics resultou nas tarifas impostos pelos EUA ao Brasil
Para oposição, alinhamento do atual governo com os países do Brics resultou nas tarifas impostos pelos EUA ao Brasil

A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aplicar tarifas de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto desencadeou um intenso jogo de empurra-empurra na política brasileira. De um lado, o governo Lula e seus aliados acusam o ex-presidente Jair Bolsonaro e sua família de articularem a medida. Do outro, a oposição Bolsonarista atribui a responsabilidade ao atual governo, criticando sua política externa e o alinhamento com blocos como os Brics. Para o governo, o aumento das tarifas é resultado direto de uma articulação do ex-presidente Jair Bolsonaro e de seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro. Parlamentares governistas, como a deputada Erika Hilton (PSOL-SP), classificaram os Bolsonaro de “traidores da pátria”, argumentando que eles seriam corresponsáveis pela incerteza econômica que pode atingir as famílias brasileiras. O ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira (PT-SP), reforçou a acusação, afirmando que Bolsonaro e Eduardo estariam “atiçando Trump contra o Brasil para tentar se livrar da cadeia”.

Essa narrativa governista baseia-se na atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, onde ele se licenciou do cargo de deputado para, segundo ele mesmo, “apresentar, com precisão, a realidade que o Brasil vive hoje” a autoridades do governo Trump, buscando inclusive sanções a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A lei brasileira de reciprocidade econômica, já aprovada pelo Congresso, é vista por governistas como um meio legal para responder “proporcionalmente” às ameaças de Trump. Em contrapartida, a oposição bolsonarista adota um discurso de crítica à atuação diplomática do governo Lula. Segundo o deputado Eduardo Bolsonaro, o alinhamento do atual governo com os países do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) contribuiu para o agravamento da situação. “A brincadeira de Lula nos Brics vai sair caro para todos os brasileiros”, questionou, em referência à recente cúpula do grupo. Governadores alinhados a Bolsonaro, como Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Romeu Zema (Novo-MG) e Ronaldo Caiado (União-GO), também responsabilizaram Lula. Tarcísio de Freitas afirmou que “Lula colocou sua ideologia acima da economia, e esse é o resultado”. Filipe Barros (PL-PR), presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, defendeu que “a culpa é exclusivamente do presidente Lula”, desvinculando a tarifa das ações de Eduardo Bolsonaro e associando-a às declarações de Lula na cúpula dos Brics sobre uma nova moeda de comércio internacional. Cenário político e influência nas eleições A briga em torno do “tarifaço” de Trump tem potencial para influenciar significativamente a política brasileira, especialmente com as próximas eleições no horizonte. Analistas políticos avaliam que, embora a polarização possa limitar o impacto em eleitores mais fiéis, interferências externas costumam fortalecer sentimentos nacionalistas, o que poderia beneficiar o governo Lula ao permitir que este enquadre a retaliação como um ataque à soberania nacional. Imagens de políticos bolsonaristas usando o boné “Make America Great Again” de Trump podem gerar paradoxos na percepção do eleitorado, que, apesar de abraçar o nacionalismo, pode questionar a lealdade de quem apoia um movimento estrangeiro em detrimento dos interesses nacionais. O governo Lula, ao convocar uma reunião de emergência e defender a Justiça brasileira, tenta capitalizar o sentimento de defesa da soberania, usando a Lei de Reciprocidade Econômica como instrumento de resposta. A capacidade do governo em unificar sua narrativa e transformar a situação em um ponto favorável será crucial nos próximos meses.


 
 
 

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