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Polícia constata que PCC tem 12 setores de crime e presença nas redes sociais

  • Foto do escritor: Nova Regional FM
    Nova Regional FM
  • há 1 dia
  • 4 min de leitura

Investigação do Departamento de Inteligência Policial descobriu como é o novo organograma da facção.


Polícia Civil de São Paulo constatou que os braços do PCC respondem à chamada "Sintonia Final", a alta cúpula da facção cujo líder máximo é Marco Williams Herbas Camacho, o Marcola


O Primeiro Comando da Capital (PCC) tem doze “sintonias” para administrar o crime e os criminosos no Brasil e no exterior. A conclusão é do Departamento de Inteligência Policial (Dipol) da Polícia Civil de São Paulo. O órgão ainda descobriu como é o novo organograma da facção, que tem uma centena de integrantes. A informação foi divulgada pelo SBT News. As “sintonias” são setores do PCC responsáveis por determinada “missão” da facção. O Dipol identificou um novo braço: “Internet e Redes Sociais”.


Segundo os investigadores, o grupo “gerencia as comunicações online, coordenando contatos entre integrantes por aplicativos, redes sociais e e-mails criptografados”. O objetivo dessa ala é garantir a “segurança e discrição nas trocas de mensagens”.


Esse setor cuidaria ainda da difusão de ideias e princípios do grupo, “mantendo a unidade ideológica e simbólica da facção, mesmo entre integrantes distantes”. A sintonia também fiscaliza o uso das redes sociais, controlando “o que circula dentro do grupo, ou seja, monitora publicações ou comunicações que possam expor a organização”.


O braço ainda oferece aos integrantes da facção “suporte digital e de informação”, funcionando, segundo o Dipol, como “núcleo técnico e de comunicação”. De acordo com os investigadores, essa nova “sintonia” teria como chefes os presos: André Luiz de Souza, o Andrezinho;

Eduardo Fernandes Dias, o Destino.

Eles responderiam diretamente à “Sintonia Final”, a cúpula da facção que conta como líder máximo Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola. O quadro da “Sintonia Final” conta ainda com outros 15 integrantes, entre eles:


Júlio Cesar Guedes de Moraes, o Julinho Carambola;

Rinaldo Teixeira dos Santos, o Funchal;

Cláudio Barbará da Silva, o Barbará.

Dos 15, só um não estaria preso. Trata-se de Adeilton Gonçalves da Silva, o Maranhão.


“É o comando central, enquanto as outras sintonias são ramificações que aplicam suas decisões de forma regional, restrita ou operacional”, afirmou o Dipol.


Há uma ainda 13ª estrutura, chamada de “Setor Raio-X”, mas que não teria o tamanho de uma “sintonia”. A ala faz a fiscalização interna, uma espécie de Corregedoria do PCC, responsável por fazer auditorias nas contas de cada braço da facção.


O grupo teria sido criado para, segundo o Dipol, “inspecionar, investigar e avaliar o comportamento dos integrantes da organização”. Segundo o organograma da facção, esse setor seria chefiado por Gratuliano de Souza Lira, o Quadrado.


Abaixo da “Sintonia Final” está a “Sintonia do Sistema”. Esse setor é um “nível estratégico da liderança do PCC, mas com atuação dentro do sistema prisional”.


De acordo com os investigadores, enquanto a “Sintonia Final” cuida de toda a organização, incluindo operações externas, a “Sintonia Final” se “concentra em garantir que as decisões” da cúpula sejam “implementadas e obedecidas nas prisões”.


Em seguida, surge a “Sintonia Restrita”, que é um núcleo seleto da organização, lidando com assuntos “mais sensíveis e confidenciais” da facção. Entre seus integrantes estariam:


André Luiz Meza Costa, o Pleiba;

Eduardo Marcos da Silva, o Dudinha.

Ela contaria ainda com um “braço tático”, do qual fariam parte:


André Vinícius Nunes de Souza, o Confusão;

Ivan Garcia Arruda, o Degola, que foi preso.

Em seguida, na hierarquia, surge a “Sintonia dos Estados e Países”, responsável pela expansão e pelos negócios da facção fora de São Paulo e do Brasil.


Abaixo dessas estruturas está a “Sintonia do Progresso”, que “atua como motor de desenvolvimento interno e expansão do PCC, garantindo que a facção cresça de forma organizada, sustentável e lucrativa”. A ala cuida principalmente do tráfico de drogas, segundo os investigadores.


Abaixo delas estão as “Sintonias” da “Rua” e a “Interna”. A primeira tem a missão de manter “a organização, disciplina e operações em sua área específica (ruas, bairros ou setores de presídios), garantindo que a estratégia definida pela liderança central seja cumprida pelos integrantes que executam ações no dia a dia”. Já a segunda deve manter a “estrutura de comando responsável pelo controle das operações dentro do sistema prisional e das unidades controladas pelo PCC”.


Segundo o Dipol, a “Sintonia Interna” é “espinha dorsal operacional do PCC dentro das prisões e territórios controlados, garantindo que a disciplina e a hierarquia sejam respeitadas”.


Por fim, os policiais detectaram ainda a “Sintonia da Padaria”, que é o setor financeiro do PCC. Segundo o Dipol, o ramo seria “ligado à parte financeira e logística da facção; é a produção e circulação de recursos financeiros, especialmente a arrecadação e a movimentação de valores obtidos de contribuições internas ou atividades ilegais”.


O documento lista ainda uma “sintonia” específica da Baixada Santista, ligada ao tráfico local e ao internacional.


Por fim, os policiais apontaram a existência da “Sintonia dos Gravatas”, que reúne o departamento jurídico da facção e a “Sintonia” ou “Quadro dos 14”. Essa seria uma “instância de elite dentro da estrutura do PCC, logo abaixo de sua cúpula”.


De acordo com os policiais, o “Quadro dos 14” responde diretamente à instância máxima do PCC. Eles são responsáveis por decisões de caráter estratégico e disciplinar. “Funciona como uma instância deliberativa para julgar, sancionar e fiscalizar o cumprimento das normas dentro da facção, especialmente no âmbito ‘das ruas’ e nos territórios de atuação”.


E, teriam relação com atentados como o que matou o ex-delegado-geral de São Paulo Ruy Ferraz Fontes. Entre os sete integrantes do grupo listados pelo documento está Fernando Gonçalves dos Santos, o Azul ou Colorido, preso em janeiro sob a acusação de ser um dos mandantes do assassinato do ex-chefe da força policial paulista.


O trabalho dos policiais constatou que 61 dos 100 integrantes da cúpula estão presos. Os agentes listaram ainda aliados da facção, como os traficantes de drogas:


Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho;

Caio Bernasconi Braga, o Fantasma da Fronteira ou Berlusconi.

E, pela primeira vez, um empresário aparece como associado à facção. Trata-se de Mohamad Hussein Mourad, o Primo, um dos principais acusados de fraudes bilionárias no mercado de combustíveis. Investigado pela Operação Carbono Oculto, ele está foragido e nega ter ligação com a facção.


*Com informações de Estadão Conteúdo

 
 
 

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