Medicamentos usados para emagrecer são investigados após relatos de rara doença neurológica


Um estudo recente identificou um possível sinal de segurança envolvendo medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1 e a encefalopatia de Wernicke, doença neurológica grave provocada pela deficiência de vitamina B1, a tiamina.
Os pesquisadores da Clinical Nutrition analisaram o sistema de farmacovigilância da FDA, que reunia quase 196 mil relatos relacionados ao uso de agonistas de GLP-1. Foram identificados 15 casos associados à encefalopatia de Wernicke, considerando a base americana, literatura médica e um caso acompanhado pelos próprios pesquisadores.
Cerca de oito envolviam semaglutida, princípio ativo do Ozempic e Wegovy, e seis tirzepatida, utilizada no Mounjaro e Zepbound. Em 13 dos 15 casos, os pacientes apresentaram perda de peso, vômitos, perda de apetite ou desnutrição.
A hipótese é que o risco não esteja necessariamente em uma ação neurológica direta dos medicamentos, mas na redução intensa da ingestão de alimentos e nos efeitos gastrointestinais, que podem favorecer deficiência de tiamina. A análise encontrou uma frequência de relatos de Wernicke 2,35 vezes maior entre usuários de GLP-1 em comparação com outros medicamentos. Apesar do número pequeno de casos e de o estudo não demonstrar uma relação direta de causa e efeito, sete dos 11 pacientes com acompanhamento disponível apresentaram sequelas neurológicas de longo prazo. Os autores classificam o quadro como potencialmente raro, porém grave, e defendem maior atenção a pacientes que apresentam vômitos persistentes, perda acentuada de peso, baixa ingestão alimentar ou sinais de desnutrição durante o tratamento.
Fonte MSN



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