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Haddad se reúne fora da agenda com Lula em busca de saídas para a alta do dólar e o corte de gastos

Presidente e ministro devem passar o dia juntos, em cerimônias do Plano Safra e reuniões. Mercado avalia que falas de Lula contra o BC têm pressionado dólar e gerado dúvidas sobre política fiscal.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, se reuniu fora da agenda com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na manhã desta quarta-feira (3).

Haddad chegou ao Palácio da Alvorada, residência oficial da presidência, por volta das 8h20 e deixou o local às 9h40 – mesmo horário em que Lula seguiu para o Palácio do Planalto.

A reunião já era esperada para esta quarta, mas o horário não tinha sido divulgado. Segundo interlocutores do Ministério da Fazenda, a tendência é que o ministro Haddad passe o dia em reuniões internas e eventos no Palácio do Planalto.

Nesses encontros, Lula e Haddad devem discutir saídas para o momento atual da economia, marcado por fortes tensões entre governo e mercado:


  1. o dólar, em disparada, tem atingido os maiores valores em dois anos e meio;

  2. o governo tenta achar espaço no orçamento para cortar gastos públicos;

  3. Lula voltou a fazer duras críticas ao presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e ao nível da taxa de juros da economia, hoje em 10,5% ao ano;

  4. o presidente elevou o tom das reclamações contra o mercado, a quem acusa de especular em cima da alta do dólar.


A agenda oficial de Lula prevê dois eventos de lançamento do Plano Safra – um pela manhã, para as linhas voltadas à agricultura familiar, e outro à tarde para o agronegócio.

Lula também convocou uma reunião no Planalto às 16h30 com a equipe econômica. Além de Haddad, foram chamados os ministros Rui Costa (Casa Civil), Simone Tebet (Planejamento e Orçamento), Esther Dweck (Gestão e Inovação).

Participam do encontro, ainda, o secretário-executivo de Haddad, Dario Durigan, e o secretário de Análise Governamental da Casa Civil, Bruno Moretti.

A sequência de reuniões ocorre em meio a um momento de tensão na economia do país:


  • o dólar, em disparada, tem atingido os maiores valores em dois anos e meio

  • o governo busca formas de cortar gastos públicos para garantir equilíbrio fiscal

  • Lula tem confrontado o mercado, que gostaria de ações mais claras do governo no sentido de conter despesas


No Orçamento deste ano, o governo prevê um déficit zero nas contas públicas. Isso significa que despesas e receitas têm que se equivaler.

Se as despesas forem maiores, o governo registrará um déficit fiscal, o que gera no sistema financeiro e no setor produtivo uma dúvida quanto à capacidade do governo de saldar suas dívidas e manter a inflação sob controle.

Isso dificulta a vinda de investimentos para o país.

Nesta segunda, Haddad reconheceu que o dólar está em patamar alto (ultrapassou os R$ 5,65). O ministro atribuiu esse movimento a "muitos ruídos" de comunicação.

Para Haddad, o governo precisa melhorar a comunicação sobre os bons resultados na economia.

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